23 de novembro de 2016

SALVADOR DALI / A ÚLTIMA CEIA


A Última Ceia - 1955 / Salvador Dalí

Como outros quadros religiosos de Dalí, A Última Ceia provoca amplas reações: alguns críticos a denunciaram como fútil e banal, enquanto outros acreditam que Dalí conseguiu revitalizar a imagem tradicional da devoção.
As controvérsias se complicaram pela consciência pública de Dali como uma personalidade aparentemente mais interessada em jogos intelectuais e emocionais do que na expressão de convicções autênticas.
Jesus e seus doze apóstolos estão reunidos numa sala modernista envidraçada. Os apóstolos com as cabeças baixas, ajoelham em torno de uma grande mesa de pedra, suas formas sólidas contrastando com a transparência de Cristo.
Dois pedaços de pão e meio copo de vinho representam a refeição sacramental.
Dalí construiu esse quadro de acordo com os princípios matemáticos derivados do seu estudo do Renascimento, e Leonardo da Vinci (que pintou a mais famosa das Santas Ceias) é uma influência particularmente forte.
Com um gesto bem parecido com o de Leonardo, Jesus aponta para o céu e para a figura (talvez o Espírito Santo) cujos braços se estendem para abraçar o grupo.

______________________________________

Ano: 1955
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 166,7 x 267 cm
Localização: National Art Gallery - Washington, EUA

In Vida e Obra de Dali / Nathaniel Harris ed.Ediouro 1997 RJ


2 de novembro de 2016

PINTURAS SACRAS II



           -Taís Luso


A singularidade do barroco brasileiro é ser uma mistura do barroco de vários países, nascendo daí características de um estilo próprio, marca de nossos artistas, retrato de nossa cultura. Os temas sacros predominam no nosso estilo barroco. E é conhecida a atração. A arte sacra dá um toque requintado à decoração de qualquer ambiente, além de representar a fé e a cultura de um povo. E como muitas pessoas têm me solicitado mais dessa arte,  deixo mais algumas técnicas. Deixo aqui  meu abraço a vocês. 
Então vamos lá...



SANTOS DA BAHIA

Impermeabilize com goma-laca purificada as peles e detalhes - 3 vezes deixando secar entre uma demão e outra. Pinte, as roupas, com as cores originais, misturando cera em 'pasta' à tinta a óleo de bisnaga, num potinho separado.
Deixe secar um pouco essa mistura e polvilhe com talco. Deixe secar mais um pouco e retire o excesso de talco.
Onde desejar folhas de ouro, passe o verniz mordente, deixe ficar em ponto de grude e cole a folha de ouro. Se quiser dê uma passada de palha de aço (bom-bril) nas saliências para desgastar, pois santos barrocos não têm aparência de novos.

PÁTINA ECLESIÁSTICA

Pinte a peça com uma tinta latex branca - 1 demão. Espere secar.
Aplique goma laca indiana em toda a peça - 1 demão. Espere secar.
Passe tinta a óleo para tela (bisnaga) diluída em secante de cobalto nas cores: carmim, verde, branco, azul. Em listras, na vestimenta do santo, a fim de que fique todo listrado. Espere secar. Pode adiantar com secador.
Após a peça bem seca, dê 2 demãos de goma laca purificada, esperando secagem entre uma demão e outra.
Passe verniz mordente nessas partes pintadas, esperando o ponto de grude (aplicação da folha de ouro). Espere secar totalmente. Cuide para não acumular o mordente nas reentrâncias.
Espiche bem o verniz.
Folheie, então toda a peça. Aplique talco nas mãos (para absorver o suor), e pegando folha por folha, vá batendo com um pincel macio, esticando bem a folha de ouro.
Tire o excesso da folha com pincel macio deixando aparecer as tintas coloridas embaixo do ouro.
Quanto mais velho preferir, mais deverá ser retirado da folha, principalmente nas saliências.
Passe goma laca purificada - para impermeabilizar e espere secar.
Pintar rosto e mãos com tinta óleo cor da pele. Também impermeabilize com goma laca purificada.
Passe betume diluído, mais para o claro, e retire.
Deve ficar aparecendo todas as cores das vestimentas. Mas envelhecidas.




Parte do meu atelier,  há 10 anos...Já é outro.


Textos: clique abaixo

Barroco / Aleijadinho
O Barroco e a Igreja Católica

Mais sobre arte sacra barroca e técnicas:  no índice da coluna ao lado.



11 de outubro de 2016

AUGUSTE RENOIR

O Jardim


 - Tais Luso de Carvalho

Pierre Auguste Renoir, nasceu em 1841 na região de Limoges / França. Foi o pintor impressionista de maior popularidade e teve o reconhecimento da crítica ainda em vida. De uma pintura alegre e otimista, seus trabalhos retratam a vida parisiense do século XIX, onde as pessoas se movimentavam num ambiente feliz e cheio de cores. Tudo era festa; tudo alegria. Mostra, em algumas telas, certa influência do rococó.

Aderiu claramente ao impressionismo com a obra La Grenouillière, onde retrata a luz do sol de um dia alegre. Esse quadro também foi pintado por Monet, dando assim destaque e fama às duas telas, mostrando como os dois artistas davam importância aos reflexos de luz.

La Grenouillière era o nome de um restaurante, em Paris, muito frequentado aos domingos. Renoir e Monet pintaram esta mesma cena, e tanto nas diferenças como nas semelhanças ganham destaque. Renoir ressalta mais as pessoas se divertindo, enquanto Monet ressalta mais a natureza, tirando da luz solar claridade e sombra. Menos alegre, mas não menos bonito.

Com os impressionistas veio o fim das atitudes fixas e do protocolo. Porém não eram muito aceitos, o povo ria de suas tolices. Isso não levou muito a se desfazer, uma vez que após a guerra franco-prussiana, em 1870, com tamanha carnificina, os impressionistas retratavam os parques, as flores e a alegria de viver. Renoir apostou no efeito descritivo da cor; com pinceladas curtas e suaves matizes de cores apuradas, criou contornos delicados e pouco nítidos. Assim todos os elementos do quadro se confundem e parecem desvanecer-se. 

Por detrás destes véus de cor escondem-se detalhes já quase imperceptíveis, pouco nítidos, o chamado sfumato, desenvolvido por Leonardo da Vinci. Foi assim um precursor da pintura abstrata do séc. 20. Depois de 1880, Renoir abandonou a pintura da impressão pura e orientou-se cada vez mais pelas obras de Ingres e de outros pintores do Classicismo, que dotavam os seus quadros de uma estrutura consciente e clara. Renoir só regressou à livre pintura impressionista  nos últimos anos de sua criação artística.

Ainda, por volta de 1890, começou a sofrer de reumatismo, perdendo a liberdade de movimentos e, em 1903 mudou-se para o sul da França. Em 1912, mesmo já confinado em uma cadeira de rodas, continuou pintando e dedicando-se à escultura até o fim de sua vida. Porém já muito debilitado, veio a contratar assistentes para executar seus projetos.

Mas, à partir de 1890 Renoir já era famoso não só na França mas no mundo. Suas mulheres nuas e opulentas eram disputadas a peso de ouro. 

'Para mim, um quadro tem que ser principalmente belo, encantador e agradável, sim, realmente bonito. Existem suficientes coisas desagradáveis, não precisamos de criar mais' - postulava Renoir. 

Por conseguinte ele foi considerado o pintor dos aspectos agradáveis da vida. O jogo da luz do sol, a representação de reflexos, mas sobretudo as figuras humanas à luz natural são os principais conteúdos dos quadros de Renoir.

Em 1914 acabou-se a  belle époque; acabaram-se os bailes, sumiram as luzes e os quadros alegres. Acabaram-se o otimismo, a vibração das cores, das folhas, momentos de felicidade, dos seios nus, dos sorrisos, das águas claras, das manhãs iluminadas que marcaram um dos maiores momentos de todos os tempos: Renoir falece em 1919 em Cagnes-sur-Mer.



Menina com as espigas

Os remadores

Le Moulin de la galette 
O almoço dos remadores - 1880


Mesmo com as mãos deformadas 1915  (caquexia rematóide )
 Renoir acabou mais de 400 obras

Algumas obras :

 Mulher com sombrinha 
  O Camarote 
Le Moulin de la Galette 
 Madame Georges Charpentier e suas filhas
Remadores em Chatou
Elizabeth e Alice de Anvers 
A dança em Bougival
Mulher amamentando
As grandes banhistas
Menina com espigas
Menina jogando criquet
Ao piano
 Odalisca
Retrato de Claude Renoir 
entre outras...

----//----

11 de setembro de 2016

CÂNDIDO PORTINARI: DIAS DE TRISTEZA...

Criança Morta

 - Tais Luso de Carvalho
Os últimos anos de Portinari foram tristes: os críticos o atacavam e os artistas novos, para os quais ele abrira o caminho, julgavam-no superado. Sofria com as críticas, porém continuava a pintar no seu estilo, não poderia se transformar num pintor abstrato, contrariar sua natureza. Dizia ele que  o valor da pintura não estava em pertencer esta ou aquela corrente, que os ignorantes confundiam arte com futebol.

Em sua tristeza, Portinari escrevia poemas: pintava de dia e escrevia de noite. Gostava de pintar e dizia que não pretendia descobrir a pólvora, que nenhuma posição o preocupava, gastava seu tempo procurando cores que se ajustassem e com isso não sobrava tempo para outras divagações.

Em 1960 nasceu sua netinha Denise - filha de João Cândido -, o que veio a diminuir muito de sua tristeza e solidão. Porém, ainda passava muitas horas de seus dias fitando o mar, sozinho, pensando em seus poemas, pensando na morte... 'Como é difícil morrer...'

No ano de 1961 viajou pela última vez à Europa, e quando voltou ao Brasil perdera a vontade de viver. Em 1962, intoxicado pela segunda vez pelo chumbo das tintas que já o atacara em 1952, não se recuperou. Faleceu às 11:40 da noite em companhia de sua mulher Maria (retrato), suas irmãs e seu médico. Seu corpo foi para o Ministério da Educação, para o edifício ao qual ele dera seu talento e esforço, o lugar onde começara sua glória. Dali saiu em carro de Bombeiro para o cemitério. Lá, foram tocados a Marcha Fúnebre e o Hino Nacional o qual milhares de pessoas ouviram sobre forte emoção.

'O homem mais triste do mundo é aquele que não tem nenhuma reserva de poesia. É o homem que cresceu demais. A criança tem as reações do poeta; quando cresce, ou a poesia se concretiza e nasce um artista, ou fica latente. O artista é o homem que nunca deixou de ser infantil.'

‘Todo artista que medite sobre os acontecimentos que pertubam o mundo chegará à conclusão de que fazendo um quadro mais ‘legível’ sua arte, ao invés de perder, ganhará. E ganhará muito, porque receberá o estímulo do povo’. (1947 em Buenos Aires)





Mais de Cândido Portinari:  aqui, neste blog.


- fonte: a vida dos grandes brasileiros


7 de agosto de 2016

ARTE NÃO SE LIMITA - Érico Santos

- Bananais -

     Após ter lido um dos livros escritos pelo artista Érico Santos - Arte: emoção e diálogo, fisguei um dos seus textos  que achei de muita relevância.  Um texto em que o artista fala com muita propriedade, pois sua palavra é digna de crédito, pelo conceituado artista que é, atuante no mercado de Arte desde 1974, com estúdios em Porto Alegre e Milão/Itália.
    Érico realizou inúmeras exposições individuais e bem mais de 200 exposições coletivas no Brasil, México, Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra e Itália, onde obteve diversos prêmios e comendas. Começou nas artes como desenhista publicitário, ilustrador e cartunista. Também formado em Direito, profissão que atuou por vários anos. Transcrevo na íntegra, seu artigo:

ARTE DEMAIS    ( por Érico Santos)

Certo domingo, li num jornal uma matéria de um especialista em decoração de interiores que versava sobre o que, atualmente, é chique ou em desuso na arrumação das paredes da casa. Estarreceu-me a afirmação de que não se deve colocar muitos quadros: numa parede grande, apenas um é suficiente para dar aquele toque de bom gosto.

Vê-se assim, como a arte é vista de formas diferentes conforme as diversas concepções de cada pessoa. No caso, esse decorador, tão imiscuído na finalidade da sua tarefa – tornar ambientes agradáveis – deturpou totalmente o propósito das obras de arte, reciclando-as para apenas quadros. A arte deixa de existir em si para se transmutar em elemento de um conjunto. Retirou-lhe o espírito para que se tornasse um corpo num ambiente. Lembrou-me, aliás, aqueles que compram livros bem encadernados, a metro, para enfeitar a estante nova.

Estarreceu-me aquele artigo, não pela ignorância artística daquele profissional, porque a falta dela é ainda, um privilégio de poucos, mas sobretudo pela insensibilidade que, aos seres de alma, não se justifica. Sua afirmativa foi grotesca porque para aquelas pessoas pouco dotadas de conhecimento artístico e, pior, sensibilidade, é um estímulo a se desfazerem de seus quadros para esvaziar as paredes. Não seria o mercado de arte o grande derrotado, mas o espírito. Os bem-dotados de alma continuarão a comprar obras de arte, porque as veem para o espírito, e não para as paredes. E se decoração é tornar ambientes agradáveis, com certeza para essas pessoas, paredes abarrotadas de quadros só lhes farão bem. Aos demais, recomendo que troquem a cada ano aquele único quadro, porque decorar só por decorar cansa, além de ter que se subjugar a modismos.

Os bons decoradores sabem o quão agradável é entrar numa casa cujos livros se amontoam nas estantes, por toda a parte, e obras de arte se acumulam com a desafetação nas paredes. Transmite instantaneamente, não apenas uma aura de bem-estar, como também um requintado estilo de vida que só os que sabem viver – e não necessitam provar nada a ninguém – conhecem.

Para concluir: não se deve quantificar o uso de uma obra de arte, assim como não se deve limitar a leitura de livros, a audiência a concertos, a assistência a peças de teatro, etc. A arte pode servir como decoração, mas subsidiariamente; assim como há quadros com o único propósito de decorar e não são vistos como obras de arte pelo seu usuário. Porém, se o autor da matéria não se referiu a quadros como obras de arte, retiro tudo o que foi dito. Nesse caso será que uma bela moldura vazia, solitária, no meio de parede, não cumpriria sua finalidade?

__________________
Arte: emoção e diálogo / Érico Santos – Porto Alegre: Uniprom 1999. pág 19

Chaleira e cuia sobre pelegos


Cena urbana / Bric da Redenção - Porto Alegre
Parque Farroupilha - Porto Alegre
Casa Cor 2014 / São Paulo - Sig Bergamin

7 de julho de 2016

ALMEIDA JÚNIOR - 1850 / 1899

Moça com livro - 1879 / Almeida Júnior

- Tais Luso


José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em 8 de maio de 1850 na cidade de Itu / São Paulo. Um dos mais representativos precursores do modernismo no Brasil morreu tragicamente assassinado nos braços de sua amante, mulher de seu assassino (seu primo), no Largo da Matriz de Piracicaba/São Paulo, diante da família, de crianças e de alguns estranhos. Aspectos da vida particular de Almeida Júnior tornam-se curiosos à medida que sua morte foi ocultada por dezenas de anos pelas famílias envolvidas na tragédia

Sua obra Saudade foi pintada meses antes de sua morte. Trata-se de uma moça, de luto, que chora a morte do marido enquanto contempla sua fotografia. Premonição?

A linguagem acadêmica e a visão quase fotográfica que se revelavam nos quadros do artista, situam-no como um pintor convencional. Entretanto a originalidade do tema, captando a realidade brasileira de cenas caipiras, mostram um certo espírito renovador, antecipando o ideal dos modernistas, animando-os.

Portinari inspirou-se em Almeida Júnior para criar sua temática da pintura nacional. Cresceu como grafiteiro, inventando pinturas nos muros da cidade. Regionalista não aderiu ao movimento impressionista, mantinha-se dentro do atelier, com seu trabalho acadêmico realista.

Seus mestres foram Jules le Chefrel, Pedro Américo e Vitor Meireles. No Rio de Janeiro ingressou na Academia Imperial de Belas Artes. Porém, no ano de 1876, o Imperador D. Pedro II, fascinado com o seu trabalho, deu-lhe uma bolsa para a École Naturale Superieure des Beaux-arts, onde tornou-se aluno de Alexandre Cabanel, um dos mais renomados pintores da época, permanecendo em Paris até 1882. Em 1873 voltou ao Brasil abrindo seu atelier em São Paulo. E, em 1884 recebeu o prêmio concedido pelo governo Imperial, A Ordem da Rosa.

Em 1897 expõe em São Paulo a grandiosa Partida da Monção, obra que lhe custou dois anos de trabalho.
Seu nome permanece vivo no cenário artístico brasileiro, através de inúmeros trabalhos onde suas composições se desenvolveram em curvas amplas e superfícies imersas em luz, traduzindo o encantamento das paisagens do interior. 

Apaixonado pelas mulheres e pela pintura, a verdadeira história de sua morte foi desenhada e colorida na clandestinidade de amores e romances atormentados. Isso torna até compreensível sob o aspecto emocional, sua morte de aventureiro - assassinado em praça pública, no dia 13 de novembro no ano de 1899, aos 49 anos.


Clique nas fotos para aumentá-las
    Picando o fumo / 1893                                      Saudade / 1899
Leitura / 1892 
 Descanso do modelo / 1882
O Violeiro / 1899
O derrubador brasileiro / 1879

Referências e fotos.
Pintura no Brasil / Abril Cultural
Dicionário Oxford
Dasartes / Artes visuaii em revista

10 de junho de 2016

IGREJAS: LUXO E BELEZA!



A arte no interior das igrejas foi usada como uma maneira de conquistar mais fiéis. A arte teria de contribuir para despertar uma religiosidade de cunho mais profundo. Pois foi no Renascimento que o barroco, considerado como a arte da contra-reforma, com muito luxo e formas arredondadas e rebuscadas, que a igreja católica partiu para a conquista e reconquista de seus fiéis.


Os santos, através de expressões de agonia, ternura e compaixão passaram a emocionar uma época. A arte foi utilizada para propagandear, através de suas imagens, as idéias religiosas revitalizadas e concebidas segundo o novo espírito: o de transmitir sentimentos e estados de ânimo à gente devota.


Em geral o interior das igrejas era o preferido - não o exterior. O estilo barroco na construção de igrejas surgiu como um desenvolvimento do estilo renascentista que alcançou seu apogeu na metade do século XVIII.


Deixo aqui alguns barrocos belíssimos, altar-mor, pinturas e afrescos do interior de algumas igrejas - uma arte tida como equivocada e exagerada. Pode ter sido um exagero da igreja, mas sem dúvida de uma beleza indiscutível. Como arte, sendo exagerada ou não, agradou a todos; sem dúvida foi o período de maior riqueza.


Fascinante porque emociona em ver e sentir o que a mão humana é capaz. Construiu em nome de Deus e da fé. E não em nome das guerras.

.


.


.



Catedral da Transfiguração / Moscou
São Nicolau / Praga



21 de maio de 2016

MARK ROTHKO – Pintor Expressionista Abstrato




Mark Rothko, um dos maiores coloristas do mundo, afetou diretamente o futuro da arte moderna e abstrata. Nascido em 1903, na Rússia, onde hoje é a Letônia, filho de pais judeus, sua família emigrou para os Estados Unidos em 1913. 
 Foi um dos personagens mais ilustres da Escola de Nova York e, em particular, um dos criadores da colour field paitings.  Estudou na Universidade de Yale e, no campo artístico, foi em grande parte um autodidata e afetou 
Nas décadas de 30 e 40 foi influenciado pelo expressionismo e pelo surrealismo, mas por volta de 1947 começou a desenvolver seu estilo maduro e característico.
Suas pinturas consistem tipicamente em grandes faixas retangulares de cor, dispostas em paralelo, geralmente em formato vertical.
As arestas de tais retângulos são suavemente imprecisas o que lhes confere uma quantidade brumosa.
Em 1928 ele fez sua primeira exposição, mas a fama demorou a chegar e durante muito tempo Rothko ganhou a vida ensinando arte.
Suas obras foram influenciadas pela ousadia no uso da cor de Milton Avery, que rothko levou a níveis mais profundos e intensos.
Em 1935 ajudou a fundar o Grupo Dez, com artistas expressionistas abstracionistas.
Com medo da influência crescente dos nazistas na Europa, em 1938 Rothko se tornou cidadão americano e em 1940 mudou seu nome Marcus Rothkomitz para Mark Rothko. No mesmo ano ajudou a fundar a Federação dos Pintores e Escultores Modernistas, cuja intenção era manter a arte livre da propaganda política.
No fim da década de 1940 ele se aproximou de um estilo cada vez mais abstrato, eliminando todos os elementos descritivos de sua obra. No mesmo ano ajudou a fundar a Federação dos Pintores e Escultores Modernistas, cuja intenção era manter a arte livre da propaganda política.
Em 1961, alcançou o sucesso, sendo tema de uma grande mostra retrospectiva organizada pelo Museum of Modern Art of Nova York.
Suas obras mais tardias tendem a tonalidades mais sombrias, talvez refletindo o estado de depressão que o levou ao suicídio.
Rothko considerava como suas obras-primas a série de nove pinturas com Negro sobre Marrom e Vermelho sobre marrom, feitas para decorar um restaurante no edifício Seagram / Nova York, no entanto doadas à Tate Gallery, por Rothko, pouco antes de sua morte, por suicídio, em 1970.



Clique nas obras + zoom



Referências: 
Dic.Oxford de Arte - Martins Fuentes, SP, 2007
Grandes Artistas - ed.  Sextante, Rio de Janeiro - 2009

1 de maio de 2016

REALISMO: COMO TRABALHA UM PINTOR REALISTA?



GUSTAVE COUBERT NESTE BLOG: aqui

Segundo a concepção realista, a pintura destina-se a representar as coisas concretas e existentes. Os temas abstratos ou imaginados não pertencem ao domínio da pintura. O pintor realista só representa aquilo que vê. Não poderá representar, por ex um episódio da mitologia grega ou da Bíblia, pela simples razão de não o ter visto ou de não o ver. A beleza está na própria realidade e o talento artístico consiste em descobri-la e acentuá-la, sem recursos e fórmulas históricas e ideias, como entre os neoclássicos, nem às efusões emocionais, como nos românticos.

Ser realista, porém, não é ser exato e minucioso como uma fotografia. Ser realista é ser verdadeiro. Ser verdadeiro é selecionar, sintetizar e realçar os aspectos mais característicos, expressivos, e por isso mesmo, mais comunicáveis e inteligíveis das formas da realidade, não sendo necessário idealizá-las ou perturbá-las com a emoção.

Ao representar um tigre, por ex, o realista não precisa ser minucioso, descendo a descrição analítica dos detalhes; não precisa fazer as pestanas do tigre! Pode ser sintético, porque será verdadeiro desde que nos transmita o caráter do tigre, isto é, a sua ferocidade e poderosa força elástica.

No caso do retrato se o modelo tiver aquele queixo irregular, denunciador de sua personalidade, que o neoclássico esconderia em nome da forma idealmente bela, o realista não o corrigirá. Fixa-o com verdade, pois certamente o achará belo e rico de caráter. 

O realista não será eminentemente desenhista, como o neoclássico, nem veemente colorista como o romântico. Estabelecerá entre a linha e a cor, ou entre as faculdades intelectuais e as emocionais, no ato da criação artística. Não será documental como uma fotografia, porque será sintético, eliminando os elementos acessórios e insignificantes, sem força expressiva para definir o caráter do modelo e o ambiente que o cerca. Por último, poderá ainda enriquecer a sua obra de intenções políticas e sociais, refletindo tendência da época, que já havia nos românticos.


EDWARD HOPPER NESTE BLOG: aqui



_________________________________________________________
Referência: Como entender a pintura moderna / Carlos Cavalcanti 
- ed Civilização Brasileira