18 de junho de 2012

Tomie Ohtake / A Dama do Abstracionismo


- Tais Luso 

Natural de Kyoto / Japão, Tomie nasceu em 1913, chegando ao Brasil em 1936, com 23 anos fixando-se em São Paulo e naturalizando-se brasileira em 1940. Só em 1952 iniciou seus estudos de pintura com o artista japonês Keisuke Sugano. Junta-se ao Grupo Seibi constituído de Shiró, Kaminagai, Manabu Mabe, Fukushima entre outros. Trabalhou com serigrafias, litografias e gravuras em metal.

Atualmente, Tomie com 98 anos está mostrando suas obras em Porto Alegre no Instituto Iberê Camargo - obras executadas com os olhos vendados, pintadas em 1960. Em Pinturas Cegas Tomie experimentou praticar uma pintura em que os outros sentidos aflorassem, baseando-se apenas no gesto e na intuição. Usou as cores azul, preto, cinza, marrom, vermelho e verde. O resultado final são telas estruturadas a partir de manchas e cores diluídas que se aproximam de um abstracionismo informal.

Estas Pinturas Cegas  são desconhecidas do grande público. Até 2011 não havia ocorrido uma exposição dedicada apenas a estas obras. Tomie teve, também, seu momento de figuração que aconteceu antes do seu abstracionismo. Depois da etapa das Pinturas Cegas, Tomie partiu para o abstracionismo mais gestual, marcado por grandes telas que exploravam a textura e o espaço.

Com 98 anos Tomie ainda pintava todos os dias, apesar de algumas dificuldades de movimentação. Em outras fases, Tomie conta que sua pintura teve momentos em que a razão ocupou momentos destacados. 

Segundo a artista 'a abstração é uma presença em muitas diferentes correntes de arte, O seu vigor continua a existir, de acordo com a época'.

Realizou diversas obras públicas, como o painel do edifício Santa Mônica, em São Paulo; a escultura Estrela do mar, na Lagoa Rodrigo de Freitas / R.Janeiro; a escultura em homenagem aos 80 anos da Imigração japonesa no Brasil; painéis para o Memorial da América Latina.

Participou do Salão Paulista de Arte Moderna, diversas Bienais de São Paulo e de várias Bienais Internacionais como as de Veneza, Medellin e Havana. Realizou várias exposições individuais no Brasil e no exterior.

À seu respeito, escreveu Clarival de Prado Valladares:

'De acordo com alguns críticos, a pintura de Tomie Ohtake corresponde a um dos pontos mais elevados do abstracionismo já produzido no Brasil. (…) Quando observamos as grandes manchas das telas de Tomie Ohtake percorrerem quase o imensurável das variações tonais de uma cor básica, ocupando uma superfície como se um todo universo se resolvesse naquela experiência e naquele momento, sentimo-nos bem próximos de uma exegese da pintura'.

Pinturas Cegas 1960
Pinturas Cegas 1960
Pinturas Cegas 1960
Sem nome 1963
1971
1982
1979

1976


O INSTITUTO TOMIE OHTAKE, erguido na mais importante cidade da América Latina, São Paulo, tem como proposta apresentar as novas tendências da arte nacional e internacional, além daquelas que são referências nos últimos 50 anos, coincidindo com o período de trabalho da artista plástica que dá nome ao espaço, Tomie Ohtake.

Inaugurado em novembro de 2001, o centro cultural ocupa uma área total de 7.500m2. Para exposições conta com sete salas distribuídas em dois grandes pisos, um dos quais abriga ainda o setor educativo, com quatro ateliês, espaço para seminários, área de documentação e um Grande Hall, onde estão instalados o restaurante Santinho, a livraria Gaudi e a loja de objetos IT.


Instituto Tomie Ohtake / São Paulo


'Eu nunca pintei com o emocional. Sempre pintei mais friamente. É sempre colocando camada, camada, camada. Colocando muitas cores, camada, camada, até chegar onde eu quero. O gesto era bem mais calmo, caía sempre  sobre a tela e seguia uma direção que era mais mental'. (Tomie)

Radicada no Brasil desde 1936, morreu aos  101 anos em São Paulo, deixando uma obra única, com sua marca. Pintou até poucos dias antes de falecer em fev de 2015 / São Paulo.