19 de março de 2014

LYGIA CLARK

 
 
      
                  
- Tais luso de Carvalho

Para Lygia Clark, uma mineira de Belo Horizonte, nascida em 1920, a obra de arte fundamentava-se na realidade.
A alegoria, disse ela, em vez de comunicar alguma coisa, retira da comunicação o que ela tem de mais vivo. Assim o real era mais importante. Se alguma coisa é, tentar colocar-lhe um sentido simbólico, é enfraquecê-la.

A partir desse raciocínio lógico, Lygia construiu toda a sua obra. Iniciou seus estudos com Burle Marx em 1947 e Zélia Salgado. Em 1952 fez sua primeira exposição individual em Paris, no Institut Endoplastique.

Voltando ao Brasil, no mesmo ano, interessou-se pela Arte Concreta onde é incluída em diversas mostras de artistas brasileiros no exterior. Dois anos mais tarde adere ao movimento Neoconcretista, participando de várias exposições, organizadas pelo novo grupo artístico.

De seus primeiros trabalhos, telas em tons acinzentados, partiu para novas pesquisas, abolindo a moldura e partindo para o tridimensional. Entre as obras dessa época (1956-1958) estão as superfícies moduladas – placas pretas e brancas de madeira pintada com tinta líquida a pistola, e os contra-relevos - placas superpostas que guardam entre si independência individual.

Do prosseguimento dessa atividade nasceu uma experiência que acabou de ser uma criação mais conhecida: peças com chapas metálicas móveis, com dobradiças e que deram o nome de bichos – exibidos pela primeira vez em 1960.

Lygia Clark expôs da II à VII Bienal e depois da IX, em São Paulo recebendo o prêmio de Melhor Escultor Nacional em 1961 e Sala Especial em 1963. Também participou da XX, XXXI e XXXIV bienais de Veneza, com uma retrospectiva de 10 anos de trabalho em sala especial, no ano de 1968.

As pesquisas continuaram e nasceu trabalhos de máscaras sensoriais, macacões para o público vestir, casas com painéis que corriam, e labirintos a serem percorridos.

Vivendo na Europa desde 1969, veio à São Paulo em fins de 1971 para novas demonstrações de suas obras que cada vez mais interagiam com o público. E assim continuou.


'No ano de 1972, Lygia Clark foi convidada a ministrar um curso sobre comunicação gestual na Universidade de Sorbone. Suas aulas eram verdadeiras experiências coletivas apoiadas na manipulação dos sentidos, transformando estes jovens em objetos de suas próprias sensações. São dessa época as obras:
Arquiteturas biológicas, Rede de Elástico, Baba Antropofágica, Relaxação. Tratava de integrar arte e vida'.

Para ela, a obra não existia se o expectador não se propusesse a experimentá-la.

A beleza para Lygia estava em fazer uma obra de arte que fosse compreensível a todos, com o emprego de materiais industriais, no caso o alumínio, e também por poder ser múltipla, uma obra com vários exemplares. Dessa forma a obra seria socializada, manuseada, transformando-se em cada instante com a vontade da pessoa, e até entrando no processo criativo do artista. Passado o período em que o público podia manusear as obras os bichos, as séries foram recolhidas em museus ou adquiridas por colecionadores.

Lygia faleceu no Rio de Janeiro em abril de 1988.

 
  Composição                                   Cabeça de Cristo / carvão
                                    
Planos - tinta industrial sobre madeira / 1957

Caminhando

Série Bicho - metal dourado /1962

Plano de moldura


Série Bichos invertebrados - 1960 / metal com dobradiças



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Referências de pesquisa:
Pintura no Brasil: arte nos Séculos
Arte Brasileira – Companhia editora Nacional