12 de janeiro de 2013

SEMANA DE ARTE MODERNA / 1922


   - Tais Luso de Carvalho

A Semana da Arte Moderna aconteceu de 11 a 18 de fevereiro de 1922 – na verdade ocorreu em apenas três dias: 13, 15 e 17 – no Teatro Municipal em São Paulo. Essa semana foi um marco para a história da arte no Brasil, aparecendo na figura de Mário de Andrade  o principal líder e teórico do Movimento.

Um grupo de artistas – pintores, escultores, arquitetos, músicos, poetas e escritores de vanguarda – reuniu-se e organizou um evento que se intitulou Semana da Arte Moderna, que ficou conhecida como a Semana de 22.

Esse grupo tinha como objetivo romper com o academismo nas artes e nas letras: renovar, chocar, ousar, escandalizar e chamar a atenção para modificar as ideias e formas na pintura e literatura, levar ao público um espírito nacionalista. Sim, os trabalhos apresentados por este grupo chocaram profundamente o público, mas as ideias plantadas germinaram e formaram uma nova geração de artistas, mais preocupados com a humanidade, com a expressão dinâmica do século 20, com a violência, com a mulher como colaboradora inteligente da sociedade e da cultura, e com a nacionalização da arte.

Apresentou-se, então, no saguão do teatro uma exposição antiacadêmica que revelava tendências europeias desconhecidas do público. Naquela exposição, hoje marco histórico da pintura moderna brasileira, haviam trabalhos de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Zita Aida, Forignac, Vicente do Rego Monteiro, Martins Ribeiro e outros. Era um surto de nacionalismo, resultante, sem dúvida do desenvolvimento industrial do país – mais rápido e intenso em São Paulo.

Os inovadores, no entanto, incorreram no mesmo erro que condenavam nos acadêmicos: procuravam o Brasil na Europa. Mas pouco tempo depois os escritores e artistas da Semana de 22 sentiram a necessidade de reforçar o sentimento brasileiro que estaria soando falso nas tendências que haviam escolhido e adotado.

Segundo Oswald de Andrade... 

'Não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos'.

Promoveram, então, dois movimentos muito significativos: Pau-Brasil, 1924 e o Antropofágico, 1928. Agora sim, colocaram a mão no Nacionalismo! Inspiraram-se em temas regionais, folclóricos e indígenas.

Tarsila do Amaral participou do primeiro movimento, Pau Brasil. Inspirou-se muitas vezes num colorido ingênuo, lírico onde pintava objetos e utensílios populares, desde oratórios de santeiros rústicos à peças artesanais, a afirmações mais genuínas em nossa pintura, deixando para trás o academismo ortodoxo.

O Modernismo, que no Brasil representou a nacionalização da arte, da literatura e da música em todos os aspectos, passou a preocupar-se com os dramas do homem moderno e, principalmente com o drama do homem brasileiro.

Alguns dos Modernistas do Movimento de 1922: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Victor Brecheret, Anita Mafaltti, Di Cavalcanti, Heitor Villa Lobos, Menotti Del Pichia, Ronaldo de Carvalho, Sergio Milliet, Guiomar Novaes, Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira, Graça Aranha, John Graz, Zita Aita, Vicente do Rego Monteiro, Osvaldo Goeldi, Martins Ribeiro, Ferrignac, entre tantos outros.

Coube a Mário de Andrade sintetizar a herança de 1922:

A desintegração do passado artístico.
A atualização intelectual com as vanguardas europeias.
O direito permanente de pesquisa e criação estética.
A estabilização de uma consciência criadora nacional, preocupada em expressar o país.

A Semana de 1922 deixou seu legado!

             A Boba / Anita Malfatti ( a indignação de M. Lobato)                 Cabeça de Mulata / Di Cavalcanti
                    

                     Mulher  / Vicente do Rego Monteiro                                    Anita Malfati / Urutu


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Fontes:
Curso de Literatura Brasileira / Sergius Gonzaga - ed. Leitura XXI
Como entender a pintura moderna / Carlos Cavalcanti - ed.Civiliação Brasileira
História da Arte / Kenia Pozenato – ed..Mercado Aberto
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