6 de fevereiro de 2013

HENRI MATISSE


A Dança / 1910

    - Tais Luso de Carvalho
Henri Matisse, pintor, escultor, artista gráfico e projetista francês, nasceu em Cateau Cambrésis – norte da França, no ano de 1869. Começou a pintar aos 19 anos enquanto trabalhava num escritório de advocacia. Em 1891 Matisse desistiu do curso de Direito e mudou-se para Paris onde entregou-se totalmente à pintura. Foi aluno de Boguereau antes de cursar a École des Beaux-Arts. Na época suas obras eram melancólicas, trabalhou em muitas naturezas-mortas e paisagens.

Foi uma longa caminhada. A visão de um clássico de Cézane - As três banhistas (que comprou), mudou seu destino. Aprendeu a equilibrar e usar cores fortes para simbolizar os sentimentos. Nascia, com um grupo de amigos - Dufy, Vlaminck, Rouault, Braque -, o movimento que veio a chamar-se 'Fauvista' o qual expuseram em 1905, em Paris, e vindo a ser rotulado como fauves (feras) , pois suas obras eram descritas como borrões ingênuos e selváticos, de uma criança brincando com sua caixa de tintas.

Os flauvistas não imitavam os objetos representados, mas os deformavam segundo as exigências da composição e da cor, numa visão jovial do mundo.

A cor agressiva e não natural, era certamente uma característica do movimento. Matisse foi, de longe, o mais expressivo artista do grupo. A agressividade nunca fez parte de seu programa, apesar de que os quadros que pintou por volta de 1905 incluíam os mais agressivos de sua carreira. As cores eram intensas e dramáticas, Matisse fundiu cor e forma para expressar suas reações óticas e emocionais em função de seu tema, e construía suas telas a partir dessas unidades: cor-forma, e arduamente conseguidas.

Em 'Notas de um Pintor' (1908) está escrito...

'O meu sonho é realizar uma arte de equilíbrio de pureza e serenidade'.

'Quero atingir aquele estado de condensação de sensações que constitui uma pintura'.

Não queria uma arte facilmente agradável, mas aquela em que os mundos, exterior e interior, estivessem fundidos em harmoniosa organização pictórica.

Matisse dedicou sua arte a temas de belas mulheres, interiores e flores. Em 1907 ele atingia um ponto de equilíbrio: linhas fluentes, corretas, e que pareciam mais realistas do que acadêmicas, cores que eram frequentemente agudas e estranhas, mas que irradiavam uma extraordinária paz.

Na sua obra A Dança / 1910, Matisse juntou o azul mais azul que existia, o verde mais verde e o vermelho mais vermelho nos corpos dançantes.

Sua intenção era simplificar a forma, exaltar as cores, mas também delimitar planos, volumes e perspectiva. Claro que para esse grupo de artistas fauvistas o importante era a vibração das cores intensas lembrando o estado de espírito das crianças e dos selvagens.

Aos 40 anos Matisse começou a ficar famoso e rico. Frequentava o famoso apartamento da escritora Gertrude Stein e ficou amigo de Hemingway e Picasso. E junto com Picasso foi considerado um dos maiores pintores vivos, mestre supremo das tendências artísticas que se caracterizava pelo uso abstrato das cores puras, e com ele compartilhava o gosto pela escultura africana. Matisse não foi um impressionista, neo-impressionista ou cubista, mas admirava esses movimentos, fez experimentos com cada um deles, porém criou um estilo próprio.

Em 1908 abre exposições em Nova Iorque, Londres, Roma, Paris e Moscou. Surge no mundo uma escola dita matissista. Logo vai ao Marrocos e se apaixona pelas odaliscas, danças do ventre, sons, arabescos e vapores do Arak. Um dos clientes mais importantes foi Sergei Schukin que visitava Paris frequentemente para comprar todas as obras que havia no atelier de Matisse e depois as mandava para a Rússia.

Em 1917 o artista mudou-se para Nice, na Riviera Francesa. Seu estilo e suas cores ficaram mais intensas nas pinturas das odaliscas e interiores, com vista para a Riviera, através das janelas abertas. Em 1925 recebeu a maior condecoração francesa – Légion d'Honneur, pelos serviços prestados ao mundo da arte.

Após um câncer abdominal, em 1941, Matisse ficou incapacitado para a pintura. Foi nessa época, então, que começaram os famosos recortes que podia criar na cama ou numa cadeira. Seus assistentes pitavam folhas de papel com tinta guache em cores vivas; ele as recortava e dispunha na tela, propondo o estilo abstrato e claramente naïf, dizendo ter alcançado uma perfeição maior do que sua pintura e escultura.
Faleceu em 1954 / Nice - França.
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Nu Azul                          A Mesa de Jantar / 1897

Mulher Lendo / 1894                                   Auto-retrato / 1918

Harmonia em vermelho / 1908
A Conversa / 1909

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Fontes:
Dicionário Oxford de Artes - Martins Fontes 2007
Grandes Artistas - Sextante
Grandes pintores - P.R. Derengoski