5 de outubro de 2015

IBERÊ CAMARGO - SEU PROCESSO NA PINTURA


        Retratos, paisagens, naturezas-mortas, carretéis, explosões abstratas, tudo feito com paixão emergindo de uma força estranha. Tudo expressava um momento, muito longe da inércia.
       Em 1980, num incidente em uma das ruas do Rio de Janeiro, o artista matou um homem. O caso teve enorme repercussão. Esse episódio deixou Iberê extremamente abalado fazendo com que o artista retornasse ao figurativismo. Iberê volta para Porto Alegre em 1982, abrindo seu atelier na rua Lopo Gonçalves. Continua a produzir muito, em 1986 abre seu atelier no bairro Nonoai, e lança o livro No andar do tempo – 9 contos e um esboço autobiográfico.
     Sua obra torna-se trágica, com figuras esquálidas, onde pode-se ver incutido no artista, a tragédia: mais solidão e sofrimento. Sua vida foi, praticamente, transportada para as telas, tanto em suas fases tumultuadas como nas mais calmas. Suas pinceladas deixaram uma história rica na trajetória das artes.
      Todo o artista deixa sua vida nas telas brancas e frias; acabada a obra, tudo vira história, emoção, beleza e riqueza de detalhes. Mas, marcado por tragédias pessoais, a obra de Iberê mostra pinceladas dramáticas e amargas nos últimos anos de sua vida.
Ver link Iberê Camargo nesse blog: AQUI_
___________________________________________________

     - Acróstico para Iberê Camargo   (por Jair Lopes)

       
     Imperioso nesse estilo sem concessão
     Beleza estará nos olhos de quem a vê
     Ele não divaga, vai ao olho do furacão
     Reproduz a dor sem dizer nem porquê.

     Ênfase na expressão e traço indefinido
     Contraria as escolas por aí renomadas
     Assume a tristeza e morte sem alarido
     Mestre de visões originais e inusitadas.

     A Iberê me curvo em muda admiração
     Registro minha reverência mais sincera
     Grande no Brasil e neste velho mundão
     O mais instigante criador que houvera.

    ______________________________________