24 de novembro de 2014

DJANIRA E SUA OBRA BRASILEIRA


Três Orixás - 1966 / Pinacoteca do Estado de SP

Djanira da Mota e Silva nasceu em Avaré – São Paulo em 1914. Foi pintora, desenhista, ilustradora, cartazista e cenógrafa brasileira. Ainda fez desenhos para tapeçaria e azulejaria. Aos 23 anos, contraiu tuberculose e foi internada no Sanatório Dória, em São José dos Campos.

Djanira retratava o brasileiro, que pescava, que moia farinha, que colhia cana, chá, mate, café. Era o Brasil de outrora, o campo, as casas coloniais, as montanhas, as paisagens. O mundo pictórico de Djanira era a consequência do que ela via. O cenário que a cercava era sempre um tema: foi assim que visitou os índios Canela, no interior do Maranhão, e percorreu o Brasil do norte ao sul para desvendar os diferentes aspectos. Essa peregrinação iniciou-se na sua infância, seguindo o pai nas suas sucessivas mudanças pelo interior.

Emeric Marcier e Milton Dacosta ensinaram-lhe os princípios básicos da técnica, da mistura das cores, do uso da paleta. Mas foi vendo e sentindo, tentando e analisando que sua formação artística se completou.

A Ascensão de Djanira no cenário artístico nacional foi rápida. Não tinham passado três anos desde sua primeira exposição em 1942 e já participava das maiores mostras coletivas de artistas brasileiros no exterior ao lado de Portinari, Guignard, Di Cavalcanti e outros.

Mas já em 1942 mostrava sua vocação pelo passado e pela província. Ainda em 1945 viajou aos Estados Unidos onde expôs em Washington, Boston e Nova York e onde foi influenciada pela pintura de Pieter Brueghel. Nesta mesma época, conheceu Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. Contudo, até 1950, foram as crianças numerosas e contornadas por um traço escuro que dominaram suas telas.

Gradativamente o traço do contorno foi desaparecendo, juntamente com os volumes. A pintura tornou-se chapada, de cores vivas e distribuídas em campos bem determinados. À medida que sua obra se transformava, Djanira conquistava inúmeros prêmios nas exposições realizadas pelo país, como a grande medalha de prata no Salão do Distrito Federal (1950) e a medalha de ouro do Salão de Arte Moderna de São Paulo (1951).

Os temas regionais apareciam cada vez com mais frequência, como no mural para o Liceu Municipal de Petrópolis. Em 1958 foram realizadas duas grandes retrospectivas: na Galeria das Fôlhas, SP e no Museu de Arte Moderna no Rio de janeiro.

Totalmente aceite pela crítica e pelo público, a obra de Djanira representa uma maneira sincera de ver e de sentir que marcou profundamente a arte brasileira. Em janeiro de 1971, após um ano de trabalho, publicou uma obra artesanal: Oratório, livro todo feito a mão, com dez iluminuras, editado por Júlio Pacello.

Como apontou o crítico de arte Mário Pedrosa (1900 - 1981), Djanira era uma artista que não improvisava, não se deixava arrebatar, e, embora seus trabalhos possuíssem uma aparência ingênua e instintiva, seus trabalhos eram consequência de cuidadosa elaboração para chegar à solução final.

Após sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1979 aos 64 anos, suas obras figuraram nas mostras importantes do país.

Não poderia deixar de transcrever aqui a palavra do crítico de arte Jayme Maurício (Correio da manhã em 9 de maio de 1967) acerca do talento dessa artista:
Grande e magnífica Djanira, pintora da alma pura que transforma banalidades em grandes emoções, e de um nada exterior cria uma imensa riqueza interior, pintora de anjos e santos, de negros e brancos, de plantas e cafezais sem fim, das ruas da velha parati e da paisagem carioca, dama ilustre desse Brasil subdesenvolvido, capaz, entretanto de uma Djanira.
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Os Orixás - Palácio do Planalto
Mercado de Peixe - 1957 / Acervo Itaú SP
Casa de Farinha - 1963

Fazenda de chá no Itacolomi - 1958 / Museu Arte Moderna RJ
Oficina de Trabalho - 1962
Djanira

   Figuras com Galo - Acervo Itaú SP                                   O Violoncelista - 1944