7 de julho de 2016

ALMEIDA JÚNIOR - 1850 / 1899

Moça com livro - 1879 / Almeida Júnior

- Tais Luso


José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em 8 de maio de 1850 na cidade de Itu / São Paulo. Um dos mais representativos precursores do modernismo no Brasil morreu tragicamente assassinado nos braços de sua amante, mulher de seu assassino (seu primo), no Largo da Matriz de Piracicaba/São Paulo, diante da família, de crianças e de alguns estranhos. Aspectos da vida particular de Almeida Júnior tornam-se curiosos à medida que sua morte foi ocultada por dezenas de anos pelas famílias envolvidas na tragédia

Sua obra Saudade foi pintada meses antes de sua morte. Trata-se de uma moça, de luto, que chora a morte do marido enquanto contempla sua fotografia. Premonição?

A linguagem acadêmica e a visão quase fotográfica que se revelavam nos quadros do artista, situam-no como um pintor convencional. Entretanto a originalidade do tema, captando a realidade brasileira de cenas caipiras, mostram um certo espírito renovador, antecipando o ideal dos modernistas, animando-os.

Portinari inspirou-se em Almeida Júnior para criar sua temática da pintura nacional. Cresceu como grafiteiro, inventando pinturas nos muros da cidade. Regionalista não aderiu ao movimento impressionista, mantinha-se dentro do atelier, com seu trabalho acadêmico realista.

Seus mestres foram Jules le Chefrel, Pedro Américo e Vitor Meireles. No Rio de Janeiro ingressou na Academia Imperial de Belas Artes. Porém, no ano de 1876, o Imperador D. Pedro II, fascinado com o seu trabalho, deu-lhe uma bolsa para a École Naturale Superieure des Beaux-arts, onde tornou-se aluno de Alexandre Cabanel, um dos mais renomados pintores da época, permanecendo em Paris até 1882. Em 1873 voltou ao Brasil abrindo seu atelier em São Paulo. E, em 1884 recebeu o prêmio concedido pelo governo Imperial, A Ordem da Rosa.

Em 1897 expõe em São Paulo a grandiosa Partida da Monção, obra que lhe custou dois anos de trabalho.
Seu nome permanece vivo no cenário artístico brasileiro, através de inúmeros trabalhos onde suas composições se desenvolveram em curvas amplas e superfícies imersas em luz, traduzindo o encantamento das paisagens do interior. 

Apaixonado pelas mulheres e pela pintura, a verdadeira história de sua morte foi desenhada e colorida na clandestinidade de amores e romances atormentados. Isso torna até compreensível sob o aspecto emocional, sua morte de aventureiro - assassinado em praça pública, no dia 13 de novembro no ano de 1899, aos 49 anos.


Clique nas fotos para aumentá-las
    Picando o fumo / 1893                                      Saudade / 1899
Leitura / 1892 
 Descanso do modelo / 1882
O Violeiro / 1899
O derrubador brasileiro / 1879

Referências e fotos.
Pintura no Brasil / Abril Cultural
Dicionário Oxford
Dasartes / Artes visuaii em revista