22 de abril de 2014

ISMAEL NERY – UMA VIDA SOFRIDA

Ismael Nery - obras

- Tais Luso de Carvalho

Ismael Nery nasceu em Belém do Pará em 1900. Junto com Cícero Dias e Oswaldo Goeldi foi um dos expoentes dos anos 1920.

Aos 33 anos já no fim de sua vida (tuberculose), suas palavras traduziram a angústia do artista incompreendido. Demasiadamente inovadoras para a época suas obras obtinham uma reação fria e indiferente do público. Entretanto Ismael dedicou toda a sua vida a elas; a arte sempre foi sua vida, sua vocação.

Não tenho sido na vida senão um grande ator sem vocação. Ator desconhecido, sem palco sem cenário e sem palmas.

Foi para o Rio de Janeiro ainda criança. Aos 18 anos matriculou-se na Escola de Belas Artes e dois anos depois foi para Paris onde frequentou a Academia Julien e a Escola de Arte.

Quando voltou ao Brasil em 1922 intensificou sua atividade de pintor e desenhista. Mais tarde, após uma nova estada em Paris, Ismael voltou em sua cidade natal e realizou sua primeira exposição, sem nenhum sucesso. Em 1929 o fracasso se repetiu, na mostra do Palace Hotel do Rio de Janeiro.

Casado com Adalgisa Néry, mantinha a família exercendo um cargo público. Além de pintor, era poeta, mas sua poesia também não era aceita. Apenas um reduzido número de amigos o compreendia, entre eles o poeta Murilo Monteiro Mendes que escrevia artigos sobre Ismael, procurando projetá-lo no mundo artístico.

Entretanto, em 1930, o artista tuberculoso, não pode mais lidar com as tintas. Dedicou-se, então, ao desenho, criando obras que refletiam a tragédia de sua vida.

Após sua morte, em 1934, Adalgisa entregou seus trabalhos para Murilo Mendes que os guardou até 1965. Apenas alguns entendidos conheciam suas obras e algumas delas foram incluídas na VIII Bienal de São Paulo, e a partir dessa época o nome de Ismael Nery adquiriu fama.

Os colecionadores procuravam seus quadros e as galerias disputavam a sua exposição. Eram óleos, desenhos e aquarelas de caráter universal, onde a realidade brasileira estava ausente.

O tema girava em torno do homem atemporal que tanto pode vestir trajes da antiguidade como os costumes simples do proletário moderno.

A X Bienal mostrou novamente essas obras originais em que Ismael reuniu nas formas expressionistas (1922 a 23), cubistas (1924 a 27) e surrealistas (1927 a 34), expressando o problema íntimo da comunicação e do amor.

Muito atuante no modernismo brasileiro, veio a falecer prematuramente em 1934 aos 34 anos, de tuberculose, num mosteiro franciscano. Portanto, suas obras passam a ser reconhecidas após sua morte.








Desenho em nanquim