7 de abril de 2014

JOSÉ PANCETTI


- Tais Luso de Carvalho

O pintor modernista José Pancetti, (Giuseppe Giannini Pancetti), nasceu em Campinas, São Paulo em 1902. Filho de emigrantes italianos, de família humilde, passou sua infância em meio a dificuldades. Aos 10 anos, devido a um incidente familiar foi levado por um tio para a Itália. Essa viagem lhe proporcionou o primeiro contato com o mar lhe provocando uma emoção que o acompanharia pelo resto da vida.

Na Itália trabalhou como aprendiz de carpinteiro numa fábrica de bicicletas, em outra de material bélico, só encontrando satisfação e tranquilidade quando ingressou para a marinha mercante italiana que lhe proporcionou o reencontro com o mar. Retornou ao Brasil em 1920, alistando-se na marinha brasileira dois anos mais tarde como grumete.

Embarcou em vários navios de guerra, viajando pelo Brasil e por outros países. Daí surgiu seu primeiro desenho. Passou a compor nas horas vagas cartões-postais, paisagens sempre aplaudido pelos seus companheiros de bordo por suas qualidades artísticas.

Já instalado no Brasil, ingressou no Núcleo Bernadelli, uma espécie de atelier livre, fundado em 1931 no Rio de janeiro. Dois anos mais tarde conheceu o pintor polonês Bruno Lechowski, que se tornou seu mestre. Em contato com outros artistas, passou a enviar trabalhos para o Salão Nacional de Belas Artes, conquistando menção honrosa e medalhas de bronze, prata e ouro.

NÚCLEO BERNARDELLI

No ano de 1931, no Rio de janeiro, formou-se um grupo de jovens que não aceitava mais os princípios tradicionalistas que predominavam no ensino da arte, principalmente na Escola Nacional de Belas Artes, que ainda era regida pelas ideias da Missão Artística Francesa.

Esse grupo carioca recebeu o nome de Núcleo Bernardelli, que no fim do século 19 haviam contribuído para a renovação da arte brasileira. Dele faziam parte, entre outros, os artistas Ado Malagoli, José Pancetti e Milton Dacosta. Apesar deste grupo ter sido renovador, ele representou um aspecto menos radical do modernismo. 
(História da Arte, ed Ática)


Em 1941, o Salão Nacional de Belas Artes concedeu-lhe o prêmio de uma viagem ao estrangeiro, mas Pancetti, gravemente doente, recebeu o prêmio convertido em pensão para custear seu tratamento em Campos do Jordão. No novo ambiente sua pintura transformou-se: surgiram as paisagens serranas, com marrons e vermelhos substituindo o cinza, o verde e o azul das marinhas.

Cinco anos mais tarde sua carreira artística estava em plena ascensão. Entre outras exposições participou da 1ª Bienal de Veneza / 1950, e da 1ª Bienal de São Paulo / 1951.

A partir dessa época, suas telas adquiriram cores mais depuradas e vibrantes, criando figuras e naturezas mortas, sempre dentro de um estilo próprio, alheio a qualquer tipo de corrente.

Após sua participação na XXV Bienal de Veneza, passou a residir em Salvador, dedicando-se por inteiro à pintura, já que passou para a reserva da marinha como primeiro-tenente, após servi-la por 25 anos.

Suas obras estão guardadas em inúmeras instituições artísticas nacionais e internacionais. É reconhecido como um dos mais brilhantes paisagistas brasileiros. Com ele, esse gênero de pintura atinge seu ponto alto, pela exuberância, pelo sensualismo plástico e pela espontaneidade, pelos quais soube tão bem captar a cor e a luminosidade dos trópicos brasileiros.

Em 1955 foi definitivamente consagrado, através de uma retrospectiva organizada pelo Museu de Arte Moderna no Rio de janeiro.
Passou os últimos anos de sua vida buscando inspiração para suas obras nas brancas areias da Bahia. 

Faleceu em 1958 no Rio de Janeiro, no Hospital da Marinha aos 56 anos de tuberculose.

Farol da barra - 1952
Campos do Jordão
Arsenal da Marinha - 1936
Marinha - 1945
Mar Morto - 1941
Lavadeira do Abaeté - 1957
Natureza morta - 1943