20 de maio de 2014

PINTURA FLAMENGA / 1420 – 1580




               - Tais Luso de Carvalho

No princípio do século XV, no norte da Europa, na região de Flandres (hoje, aproximadamente Bélgica e Luxemburgo), haviam indícios que apontavam para o começo de uma nova era, mesmo os flamengos não absorvendo as inovações no campo das artes comparando-se ao que sucedeu no Renascimento. A pintura ficou por mais tempo ligada à tradição medieval. Paulatinamente é que despontou a arte da velha Flandres, terra dos Flamengos na Europa, de grande importância cultural e econômica desde a Idade Média.

Os primeiros sinais de mudança surgiram inicialmente no campo da escultura, com  Claus Sluter (1350-1405).

Aos poucos os temas religiosos foram cedendo lugar aos temas mundanos. Os pintores flamengos transferiam as cenas religiosas para um ambiente profano, tentando representar o espaço, a cor, os corpos e a luz, de maneira mais natural o possível.

O povo via os conflitos sociais, fruto das bruscas mudanças econômicas, as guerras, os surtos da peste e o flagelo da fome, que no século 15 se abateram sob os países baixos. A insegurança gerou o fanatismo religioso; procissões intermináveis de fiéis que se autoflagelavam, enquanto os seus pecados percorriam o país, levando a religião católica a uma profunda crise. A necessidade de uma orientação determinante de reforma, era óbvia.

Enquanto que a arte italiana do século XV tinha por base a perspectiva linear, calculada matematicamente, os pintores flamengos utilizavam a chamada perspectiva intuitiva. Ao contrário dos artistas do Renascimento italiano, que se esforçavam por representar o mundo de forma científica e racional, construindo os quadros a partir do interior, os artistas flamengos tentavam desvendar os segredos do mundo por meio do olhar exterior, observador e exato. Os pintores aprendiam com sua própria experiência de visão, assim como pelo conhecimento sobre as características dos objetos.

Pintavam o que viam, e dessa maneira os artistas conseguiam aproximar-se bastante do efeito da perspectiva central. Com essa forma de percepção, baseada no olhar e na experiência, os artistas descobriam ainda que com o aumento da distância, as formas vão perdendo cada vez mais os contornos e que a intensidade das cores diminui, mudando para tons azulados.

Os artistas flamengos se deleitavam com as oportunidades que a pintura a óleo lhes oferecia. Retratavam o mundo em que viviam com uma originalidade genuína, como se estivessem vendo tudo pela primeira vez.

BOSCH / 1450-1516
As obras de Hieronymus Bosch são a imagem desse sentimento geral. Ele transforma o inferno em algo terrestre, pois representa os abismos da humanidade, os seus vícios e os seus erros com extrema minuciosidade. O fantástico das suas obras, que já no seu tempo se tornou famoso, consiste no fato de Bosch conseguir unir num todo, o realismo (na forma de pintar) e o simbolismo (no que se refere ao sentido), mas sem querer representar os abismos
da alma humana; as suas visões aflitivas tinham uma intenção moral. Os seus mundos pictóricos eram advertências para os sofrimentos infernais que esperariam o homem, devido aos seus delitos profanos no seu dia a dia.

BRUEGHEL / 1525 - 1569
Os quadros de Pieter Brueghel, o pintor flamengo mais importante do século 16, tem um cunho pedagógico e moral comparável. Ele executava pinturas que, como as de Bosch também eram exemplificadas. No entanto, esse pintor extremamente culto não representava visões dos infernos ou temas religiosos, mas sim os temas atuais de sua época. A sua obra A Construção da Torre de Babel, pode ser vista de acordo com a moral bíblica – como um aviso à presunção humana, um fenômeno que o pintor deve ter observado nos seus contemporâneos.

JAN VAN EYCK / 1395 - 1441
Este quadro - Retrato do Noivado Arnolfini 1434 - representa de forma naturalista um casal num interior burguês. Marca a viragem da arte sacra para a arte profana. Esposa e esposo encontram-se no quarto do casal, suntuosamente vestidos a fim de contrair matrimônio. A seus pés, vê-se um pequeno cão como símbolo da fidelidade conjugal. No candelabro reluzente, uma única vela acesa simboliza a presença de Cristo.

OUTROS:
Petrus Christus - Joris van der Paele - Mestre do Frémalle - Melchior Broederlam -
Van der Weyden - Hans Memling - Gerard David entre tantos outros.