27 de novembro de 2013

DAVID – JACQUES LOUIS



- Tais Luso de Carvalho


David - Jacques Louis, grande mestre do classicismo francês, nasceu em Paris no ano de 1748. Para conhecermos a obra de David, vale a pena entrar um pouco no período político-histórico da época. Filho de uma próspera família burguesa, aos 18 anos tornou-se aluno da Academia Real de Paris.

Ali teve como professor Joseph Vien, que inspirado no que vira em Pompéia, dera início a um movimento artístico denominado Moda Pompeiana, cujas ruínas haviam sido recém-descobertas e que caberia a David desenvolver e afirmar o novo movimento artístico - o Neoclassicismo.

Acreditando na superioridade da cultura antiga, David viajou com Vien para a Itália, onde a atuação dos papas (reabrindo as galerias de arte antigas), mais o interesse por Pompéia e o retorno ao gosto clássico haviam reconduzido Roma à posição do mais importante centro artístico europeu. David dedicou-se a copiar baixos-relevos e estátuas para aperfeiçoar sua técnica. O escultou Giraud ensinou-lhe a observar os modelos vivos sob o prisma da arte helênica. David permaneceu na Itália por cinco anos formando um contato direto com a antiguidade. Em 1780 voltou à França.

Participava ativamente dos acontecimentos políticos de seu país, tornando-se rapidamente o representante principal de um classicismo revolucionário.
O lema Liberdade, Igualdade, Fraternidade não era integralmente seguido na França. A Revolução Francesa trazia, contudo, mudanças radicais para a sociedade. A monarquia foi substituída pela república democrática; criou-se a Convenção eleita por votos representativos de todas as classes sociais e surgiram duas alas de pensamentos políticos: uma defendia a ordem burguesa, e a outra as ideias populares. Essa divergência causava várias crises que só seriam solucionadas com a ascensão de Napoleão ao poder.

A burguesia tentava implantar os ideais revolucionários apoiando-se no pensamento iluminista, em busca de uma verdade universal. E através dos filósofos Montesquieu, Voltaire, Pascal, Diderot e Rosseau, com suas ideias iluministas, atingiram a arte: ela deveria ser moralizadora, pregando a virtude e exaltando o caráter heroico da Revolução. Os volteios do Rococó já não serviam para exprimir o momento que se vivia.

Era preciso encontrar uma forma de retratar o mundo, que dispensassem subterfúgios e enfeites e que criasse uma atmosfera heroica: o belo ideal da Antiguidade romana trazia em si a perfeição e a objetividade das linhas acadêmicas além do heroísmo que os defensores da Revolução desejavam transmitir. Em suma: inspirando-se num passado clássico, os artistas do fim do século 18 e começo do século 19 criaram um estilo – o Neoclassicismo.

O Neoclassicismo tornou-se, na época, o Movimento oficial da Revolução Francesa. David fez parte da Convenção nacional e Membro do Comité de Arte e Instrução Pública. Manteve-se como um ditador nas artes francesas até a queda de Napoleão. Nesse período sua obra voltou-se para os temas revolucionários, como em A Morte de Marat (1793), mas durante o império napoleônico, começou a perder a sobriedade neoclássica, influenciado pelo fausto da corte. Assim o luxo e a riqueza de detalhes aparecem com destaque na Coroação de Napoleão em Notre-Dame.

David foi unanimemente reconhecido como o pintor da Revolução. Tomou parte ativa na fundação do novo Instituto que substituiu a Academia e tornou-se defensor ardente de Napoleão mantendo-se sempre no topo. Entre 1802 e 1807 pintou uma série de obras exaltando os feitos do Imperador. Essas pinturas marcaram uma mudança técnica e estilística em relação às pinturas da época republicana. As cores frias e a composição severa das pinturas heroicas cederam lugar novamente à suntuosidade e ao romantismo de outrora – embora David sempre tenha se colocado em oposição a essa escola.

Com a queda de Napoleão David retirou-se para Bruxelas e suas obras enfraqueceram no sentido de não exercer mais uma influência moral e social.

Sua obra exerceu muita influência sobre o desenvolvimento da pintura francesa, ou mesmo europeia, e entre seus alunos estavam Gérard, Gros e Ingres.

Como pintor patriótico oficial, praticamente renunciou ao estilo anterior, mesmo nas obras desligadas da política. É o caso do Rapto das Sabinas, tela em que os três princípios básicos dos clássicos – sobriedade, simplicidade e dignidade – já ficaram inteiramente renegados.

Exerceu influência considerável junto ao governo da França como porta-voz de todos os assuntos relacionados à arte e à propaganda política. Lógico, através da própria arte.

Com a queda de Napoleão e a restauração monárquica, David cai em desgraça (ele votara pela condenação de Luis XVI durante a Convenção) e passa os anos restantes de sua vida exilado em Bruxelas, onde morre em 29 de dezembro de 1825.

Com o Juramento dos Horácios começou a trilhar seu caminho de glórias em Roma. Aplaudido pelos mais famosos artistas do ambiente romano, recebia centenas de visitantes em seu atelier. Artistas e amantes da arte enviavam cumprimentos e flores. Exposto no Salão de 1785, em Paris, O Juramento dos Horácios causou muito sucesso. E foi considerado o mais belo quadro do século - e David um revolucionário.

O choque provocado pela célebre e discutida tela, deveu-se à comparação com o trabalho de outro mestre da época, Fragonard. O contraste entre a pintura galante de Fragonard e o vigor e a força dos quadros de David, saltava aos olhos dos franceses.

O amor pela razão e o repúdio a qualquer tipo de religiosidade ressuscitaram o estudo da anatomia do corpo humano. A musculatura é minuciosamente descrita no quadro de David; as formas das pernas e dos braços são o resultado da observação fiel da realidade.

Antes do aparecimento de David o neoclassicismo era apenas mais uma moda, disputando a supremacia com o rococó cortesão. Após o sucesso do Juramento, ele se define e triunfa, passando a ser considerado o estilo oficial da França.


'Minha intenção é pintar os ambientes antigos com tal exatidão que os gregos e romanos, vendo meus quadros, não me considerariam estranho aos seus costumes'.


A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica.
Homenagem de David a Jean Paul Marat que foi assassinado. David o retrata com dignidade e a ternura de um santo martirizado.





O Juramento dos Horácios /1785 - Museu do Louvre
A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica
Monsieur Lavoisier and his wife – 1788 Metropolitan Museum of Art
A Morte de  Sócrates / 1787 – Metropolitan Museum of Art – Nova York
Napoleão cruzando os Alpes - 1801 - Chateau National de Malmaison / França