2 de março de 2013

MANET E O IMPRESSIONISMO



por Tais Luso de Carvalho

Édouard Manet, pintor e artista gráfico, nasceu em Paris, em 1832, no seio de uma família abastada. Seu pai era um alto funcionário do Ministério da Justiça e não aprovava, no início, a escolha do filho.

A formação burguesa moldou-lhe a personalidade, pois mesmo estigmatizado pelo meio, como um rebelde, sempre buscou o êxito, as homenagens tradicionais e comportava-se como homem de alta sociedade. 

Quando completou 18 anos entrou no atelier de Thomas Couture onde permaneceu por 6 anos.  Após, saiu e fez sua escolha pessoal, estudando a fundo as obras de artistas italianos e espanhóis pertencentes à coleção do Louvre.

Sua obra, O Bebedor de Absinto / 1859, o qual retratou um alcoólico,  foi rejeitada pelo juri do Salon. Outra obra, Le Déjeuner sur l'herbe, pintado em 1863 foi a primeira das suas  obras escandalosas. Em seguida,  com  Olympia - 1865,  causou maior comoção. A hostilidade com que foi recebida baseou-se-se não só em critérios estéticos, mas também em critérios morais.

A nudez  só era considerada aceitável quando representada num contexto suficientemente remoto no tempo  ou na mitologia, mas em Le Déjeuner sur l'herbe  mostrava uma mulher nua, fazendo piquenique com dois homens trajando vestes contemporâneas.

Em Olympia, a figura nua reclinada, foi baseada na Vênus de Urbino, de Ticiano (a qual Manet copiara em Florença dez anos antes).  Sua sexualidade, nada discreta, foi considerada ofensiva aos padrões aceitos na época.

De um crítico da exposição: a arte que desce a um nível tão baixo não merece, sequer, reprimenda. Manet foi atacado, também, por  sua técnica arrojada nas quais as finas gradações tonais da arte acadêmica  foram eliminadas em favor de contrastes vivos de luz e sombra.

O quadro Le Déjeuner sur l'herbe permite entender a posição de Manet face aos artistas acadêmicos – que o detestavam; mas, os pintores impressionistas o consideravam um mestre - apesar de nunca ter participado ativamente na vida do grupo.

'Os insultos chovem sobre mim como granizo', escreveu Manet ao seu amigo Baudelaire que, ao lado de Émile Zola foi um de seus maiores defensores. E foi nessa época que Manet percebeu que passava a desempenhar um papel de líder da vanguarda pelo grupo de jovens impressionistas, como também Monet, Renoir, Bazille, Sisley e Cezanne.

Mas, apesar de tudo, nos seus últimos anos Manet aproximou-se das técnicas impressionistas. Usou frequentemente o método de pintura em plena natureza de uma forma cada vez mais livre e mais espontânea.

O seu desprezo e fuga da pintura tradicional trouxe-lhe o respeito dos impressionistas. À partir de 1868, expôs regularmente no Salon, que considerava o seu verdadeiro campo de batalha pela nova arte.

Seus temas prediletos eram os associados à vida moderna, desenhando nos bulevares e cafés de Paris, apesar dos críticos não o pouparem, dizendo que Manet  só era capaz de pintar o que estivesse em sua frente, sendo incapaz de usar a imaginação. 

Manet é visto como um dos fundadores da arte Moderna e foi muito significativo  o título oficial da primeira exposição pós-expressionista, organizada por Roger Fry, em 1910: 'Manet e os Pós-Impressionistas'.

Nos seus últimos anos, ampliou o campo dos seus temas, elaborando retratos e naturezas mortas.

Manet começou a sofrer de ataxia locomotora, com dores insuportáveis, após uma perna amputada devido à complicações da sífilis. As honrarias  que tanto desejava, vieram tarde demais. Fora do tempo para serem apreciadas. 
Morreu em 1883.






fontes consultadas:
Os Mestres da Arte / As origens da pintura contemporânea - Porto Ed.
O Mundo da arte- Arte Moderna / Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações LTDA.