29 de agosto de 2013

REMBRANDT – 1606/1669



- Tais Luso de Carvalho

O holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn, o pintor da luz dramática, nasceu em 15 de julho de 1606 em Leiden, no seio de uma abastada família burguesa. Seu pai era dono de um moinho, tendo conseguido juntar uma fortuna considerável; sua mãe era descendente de uma família de padeiros, conceituada.

Ainda jovem, em 1620, Rembrandt decidiu trocar os estudos de filosofia pela carreira de pintor, tendo como seu primeiro professor o mestre Jacob von Swanenburgh, que ao longo de três anos lhe ensinou o básico do ofício.

Mais tarde, Rembrandt mudou-se para Amsterdam onde foi aluno de Pieter Lastman, pintor e retratista, muito influenciado pelo caravaggismo. Tinha, também, viajado pela Itália onde descobrira a dramaticidade da luz e sombra para o seu trabalho.

Com um pouco mais de 18 anos, começou com projetos ambiciosos, mas não obteve o reconhecimento que esperava do público.

Até aí tinha feito uma série de autorretratos, que demonstrava muito de sua autoconfiança artística. Desenvolveu esses autorretratos psicológicos, fruto de suas observações e autorreflexões críticas. Esses seus estudos lhe permitiam visualizar um estado de alma.

É com Rembrandt que se renova a pintura holandesa, principalmente no gênero do retrato, que adquire grande dramaticidade, usando cores com maestria, preocupava-se não com o pormenor das coisas, mas com a organização das sombras e luzes, das massas e volumes num conjunto harmonioso, revelando a perplexidade do homem diante da vida.

Em 1630 Rembrandt encontrava-se no início de sua fase mais produtiva, intensificou a produção de gravuras  que vendia em grandes tiragens, conseguindo dessa forma que seu nome fosse bastante divulgado. À medida em que sua fama crescia, sua fortuna aumentava.

Em 1631, Rembrandt, pintou seu primeiro retrato de grupo para a influente associação dos cirurgiões: A lição de anatomia do Dr.Tulp. Esse quadro mostra uma intensidade jamais vista. O pintor não escolheu o motivo da aula de anatomia só como pretexto, só para representar um grupo de membros da associação: ao colocar a aula em primeiro plano e reproduzir a atenção concentrada dos médicos, ele os retratou individualmente no seu meio natural. Demonstra um grande domínio da luz: os rostos das pessoas estão banhados por uma luz extremamente clara que as destaca em conjunto do escuro que circunda.

Após a execução desse trabalho Rembrandt tornou-se famoso em poucos meses, recebendo nos anos seguintes uma enchente de encomendas da burguesia e mesmo da corte de Haia.

QUADROS HISTÓRICOS

Seus quadros históricos tem uma característica muito particular: ilustram os acontecimentos e ao mesmo tempo mostram o homem e seus sentimentos. Interpretava os temas de uma maneira peculiar: preferia mostrar suas cenas no interior, dando à luz um tratamento muito próprio.

Com um claro-escuro acentuado, Rembrandt alcançava efeitos sugestivos e emocionais. Não iluminava muito suas obras, deixava grandes superfícies na obscuridade. As partes iluminadas, normalmente não apresentam uma fonte de luz concreta – a luz parece vinda do interior, tendo um caráter simbólico. Rembrandt trabalhava seguindo a tradição de Caravaggio.

Em 1660 o município de Amsterdam procurava um pintor para retratar uma história. Uma enorme tela deveria representar a conspiração de Claudius Civilis, herói nacional contra o poderio romano. A obra, porém, foi tão desnorteadora, tão selvagem que foi recusada. Muitos anos depois essa obra foi reavaliada, sendo considerada hoje como uma das mais impressionantes obras de Rembrandt.

Uma de suas principais obras foi A Ronda Noturna. Foi uma importante encomenda que o artista recebeu para pintar o retrato de um grupo da guarda-civil. Cercados pela escuridão e ao som de tambores este grupo de milicianos se prepara para sair em marcha. O interessante nessa composição de Rembrandt, é que ele criou uma cena movimentada, como se fosse uma narrativa histórica, mostrando os milicianos no preparo normal para entrarem em formação. A cena aparece dramática, com áreas escuras e com focos de luzes que destacam os rostos, capacetes e armas.


A Ronda Noturna (visão do tamanho)

FAMÍLIA

Seu casamento com Saskia van Uylenburgh, filha de uma distinta família de patrícios, em 1634, integrou Rembrandt na alta sociedade. Essa ascensão social, a fortuna de Saskia, seu ordenado de professor e a venda de quadros o colocaram no patamar de um homem bem-sucedido. Porém todo o dinheiro ganho era gasto nos leiloeiros; colecionava vestes, armas, livros, gravuras em cobre e outros objetos que pintava em seus quadros, ricos em adereços. Essas aquisições pesavam de tal forma na sua fortuna que Rembrandt não conseguiu pagar o sinal de uma casa na seleta rua Breestraat.

A vida do pintor na capital da Holanda era amena e feliz. O amor que dedicava à sua esposa, transparece nos quadros que a retratam. Porém, nessa época já se nota um aspecto inquietante na sua pintura, e que se desenvolveu com o tempo, terminando por afastar os clientes, tal a crueza exposta e que chocava seus contemporâneos.

Em 1642 Rembrandt começou a sentir os primeiros dissabores. Morreu a esposa, deixando-lhe o filho Titus. Marcado pelo sofrimento suas pinceladas tornaram-se mais violentas. Com lente de aumento observava a degradação do próprio corpo e a transportava para a tela.

O abatimento que se revela no rosto da obra Betsabá, a noiva Judia, a degeneração no corpo do Boi Esquartejado, e no Cristo em Os Peregrinos de Emaús, acabaram aparecendo no rosto do artista, tal como é fixado no seu último autorretrato. Ao todo, Rembrandt pintou ao longo de sua carreira 86 autorretratos, em vários estilos diferentes, que eram colecionados por conhecedores e que o ajudaram, posteriormente, a firmar sua reputação.

Na miséria e esquecido, Rembrandt continuou a pintar, analisando cada vez em maior profundidade as paixões e a decadência humanas.

Morreu no dia 4 de outubro de 1669, deixando em seu testamento algumas roupas de linho e lã, 'minhas coisas de pintor'.







Fontes:
Arte nos Séculos – Abril Cultural
História da Pintura – ed. Könemann
Tudo sobre arte – Stephen Farthing / Sextante